Texto de minha mãe , 1991
Esta é, era, minha mãe, pouco antes de morrer subitamente aos 71 anos.Celma...
Bonina, como a chamava o Tute.
Uma mulher que se desdobrava em mil para ser mãe de seus 5 filhos e de tantos outros, agregados, postiços e adotivos que foram juntando-se a nossa família.
Em minha casa o almoço acontecia em três turnos para dar conta da família e dos amigos que apareciam por lá todos os dias. Uma festa!
E ela sempre como centro das atenções, divertia todos com sua genialidade matemática e adivinhações. Malba Tahan ficava no chinelo!
Quando fiquei grávida de minha primeira filha, com 27 anos,
minha mãe me deu o texto que segue aqui. Ela escrevia sempre, poesias e longas cartas. Gostava de desenhar também, muito bem!
Há 3 bilhões de anos (?)
Uma molécula enlouqueceu.
Copiou o criador.
Gerou-se. Multiplicou-se.
Há 3 milhões (?) de anos,
genes
Espertos,
Dentro da seiva do que se chama amor.
Vem perpetuando-se
fisicamente conservando-se
para o eterno,
reiniciando-se em corpos replicados
mas sempre novos.
Há 90(?) dias
alguns desses
genes
espertos
ganharam a corrida;
Recombinaram-se;
Imprimiram seu código,
E estão prontos
Para em forma final
Única,
Feita para o eterno,
Seguir o seu caminho.
E,
Num dia,
Num ato do que se chama
Amor,
Vão mudar novamente de
corpo,
Na perpétua
corrida
Para o infinito
Que dê certo esse aí.
Celma.
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