A Alegria era ali mesmo!

Quando eu era criança minha mãe as vezes, sempre às terças feiras, me levava ao centro da cidade para comprar roupas no Mappin e para almoçar no restaurante vegetariano da Praça da República.

Era fantástico! a gente passeava, andava pelas ruas cheias: rua Direita. Depois a gente ia até a Livraria Canuto e pegava o Tute para ir conosco. Felicidade não tinha tamanho ali!

Hoje acordei pensando nisso.
Lembrando deles.

Minha mãe pode ter feito muita bobabgem na vida... mas viveu! de verdade!
Criou 7 filhos, criou uma linha de pensamento e revolucionou um jeito de educar, criou uma pedagogia própria.
Minha mãe reinventava a vida todos os dias. Foi uma mulher que conheceu o amor.

O Tute...

Esse era um homem único, simples, delicado. Através do olhar que tinha sobre o mundo me transmitia uma doçura que nunca mais saberei encontrar. Me contava histórias para dormir com um sotaque musical e germânico, que ainda hoje, ao fechar os olhos,consigo escutar. Ao mesmo tempo vejo seus olhos azuis claros, claros. Estarão para sempre comigo.

Eles eram felizes. E um dia foram embora. Ela primeiro, ele quatro anos depois.
Ela morreu fulminantemente. Ele um dia apagou.

Hoje na cama, deitada com minha pequena Alice, com seus pezinhos no meio das minhas pernas e fazendo cafuné no cabelo do pai, fiquei pensando que já tinha vivido aquela cena em outra posição: eu era a bebê no meio dos pais. Recebendo carinho, aconchego, amor sem fim!
Felicidade era ali mesmo!

Estas são algumas das cenas de nossa vida que não podemos perder de vista na memória, pois constroem nosso Norte.
Meu Norte é reencontrar a alegria de momentos como aquele novamente e sempre!

Saudades dos meus pais.

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